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Pesquisa Ibope pode ser invalidada por cruzar metodologia

Em questionário aplicado, nome de Dra. Cristina não constava no rol de candidatos. Entretanto, ela obteve 3% das intenções de voto. Especialista explica que não é possível, já que metodologia era estimulada e não poderia receber respostas espontâneas

Dra Cristina aparece com 3% de intenção de voto em pesquisa estimulada, mesmo não tendo sido apresentada em questionário para entrevistados | Foto: Reprodução/IBOPE

A pesquisa Ibope divulgada nesta sexta-feira, 2, encomendada pela TV Anhanguera e registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sob o número GO-01290/2020, pode ser invalidada pelo TRE, de acordo com especialista.

O fato é que no questionário aplicado a 602 eleitores, a candidata Dra. Cristina (PL) não constava na lista. Mesmo assim, o Ibope divulgou em seu resultado uma intenção de voto em 3% para a candidata, que ainda não havia sido reconhecida pelo Tribunal, por isso não foi apresentada como opção aos entrevistados.

“A pesquisa tem uma metodologia própria e os resultados não condizem com ela. Por que Dra. Cristina aparece no resultado, mas não aparece no questionário? Os aplicadores podem ter recebido respostas espontâneas, o que também estaria correto desde que a metodologia da pesquisa fosse para receber respostas espontâneas”, explica o cientista político Guilherme Carvalho.

O problema é que a pesquisa era estimulada, conforme ressalta o especialista. “O eleitor só responde aos estímulos que recebeu. 3% de 602 eleitores é bastante gente. Acredito ter sido um erro do instituto que não foi corrigido antes de soltar o resultado. Você cruza duas metodologias. Esses 3% não existem. Eles poderiam estar espalhados entre os outros candidatos, porque a Dra. Cristina não era candidata quando o questionário foi aplicado”, informou.

O Instituto Ibope respondeu ao Jornal Opção que “optou pela situação que melhor atendesse à realidade do cenário”. “Quando a pesquisa foi registrada, a candidatura dela [Dra. Cristina] ainda não havia entrado no site do TSE, mas antes de iniciarmos a pesquisa o nome dela entrou no site, por isso foi incluído”, argumentou o Ibope.

O especialista ainda apontou para mudanças significativas do resultado apresentado pelo Instituto Ibope em relação a Pesquisa Serpes. “Remete a uma possível mudança do cenário eleitoral, mas como estamos com essa sombra de um problema do registro dos resultados da pesquisa. Esses 3% parecem invalidar todo o resultado”, reforçou Guilherme.

De acordo com o especialista, pessoas físicas, como candidatos e eleitores, além de órgãos, instituições e partidos políticos podem provocar o TRE, o que possivelmente anularia o resultado apresentado pela pesquisa Ibope.

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